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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Sobre os Novos Direitos das Domésticas. Algumas dicas do Blog

Hoje o Diário de Um Advogado Trabalhista repercute o assunto mais comentado nos últimos dias no âmbito das relações trabalhistas, e, até mesmo, na sociedade brasileira: os novos direitos das empregadas domésticas.
 
 
 
Agora as domésticas tem sua dignidade assegurada......como ser humano!
 
 
Neste particular, quem acompanha o Blog há algum tempo já sabe que este Blogueiro vinha militando – desde Junho de 2011 – que o ordenamento jurídico brasileiro desse acolhimento à Convenção 189 da OIT,- esta que recomendava a implantação de novos direitos trabalhistas à categoria das Domésticas.
 
Naquela época, o Diário de Um Advogado Trabalhista divulgou uma nota pública endossada por diversos operadores do Direito do Trabalho e militantes na Justiça Especializada, dentre os quais este Blogueiro, renomados Juristas, Juízes, Procuradores do MPT, Advogados e Doutrinadores. Pode ser lida neste link: Depois da Convenção 189 da OIT, Juristas, Operadores e Militantes do Direito do Trabalho lançam Manifesto "Às Domésticas, Direitos Já!"
 
Também já havia feito particulares considerações sobre a mesma temática nestas postagens: OIT Aprova Direitos e Melhores Condições para as Domésticas (os). Alguns Comentários do Blog
 
 
Então, o amigo leitor já percebeu o quanto este espaço está comemorando as novas mudanças trazidas pela PEC das Domésticas, que, diga-se de passagem, entrou em vigor hoje. Sem dúvida, eliminamos um centenário e lastimado resquício da época da escravatura no Brasil. Quem não ouviu falar das mucamas e seus préstimos na casa grande? Não lembravam?
 
Já satisfeito com tudo o que foi produzido pelos nossos legisladores constituintes derivados e com a ampla e detalhada repercussão dada pelos diversos meios de comunicação – especializados ou não em direitos trabalhistas - este escriba julgava que não era necessário fazer uma postagem específica para o público deste espaço. Houve uma farta divulgação de informações claras e com qualidade acima da média.
 
Todavia, confesso que fui surpreendido com um grande número de mensagens de nossos leitores do Diário, solicitando as considerações deste Blogueiro que vos escreve acerca dos novos direitos desta categoria.
 
Com prazer, vou repassar a vocês todas as informações que consegui apreender. De forma condensada, para não ficar redundante e cansando o leitor com informações que podem variar caso a caso.
 
Vamos lá:
 
1) Direitos que já existiam:
 
Antes desta nova PEC, as domésticas já tinham em seu patrimônio jurídico direito a salário, irredutibilidade de salário, férias anuais, licença maternidade e aviso prévio proporcional;
 
 
2) Novos direitos já incorporados aos demais antes existentes:
 
Salário mínimo, que pode variar de Estado para Estado;
 
Jornada constitucional com limites de 8h diárias e 44h semanais;
 
Horas extras, ressaltando que a prestação de jornada extraordinária não pode ser superior a 02 horas por dia;
 
01 a 02 horas de intervalo para refeição e descanso para jornadas superiores a 6h diárias, ou 15 minutos para jornadas igual ou inferior a 6h diárias;
 
Reconhecimento/validade das Convenções e Acordos Coletivos;
 
Direito à equiparação salarial e vedação à discriminação;
 
 
3) Novos direitos que SERÃO incorporados aos demais antes existentes, APÓS REGULAMENTAÇÃO do legislador infraconstitucional:
 
FGTS (depende ainda de regulamentação acerca de qual será o modelo de recolhimento);
 
Indenização para dispensas sem justo motivo. Poderá ser a multa de 40% do FGTS ou outra a ser criada;
 
Seguro Desemprego (05 parcelas);
 
Adicional noturno para as horas trabalhadas entre 10h00 e 5h00 da manhã;
 
Salário-Família e Seguro contra Acidente do Trabalho (regulamentação pela Previdência);
 
 
4) Quais os trabalhadores que são considerados domésticos (beneficiários)?
 
Aquele que presta serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família no âmbito residencial. OBS: Se o empregado(a) presta serviços na residência do patrão, mas executando serviços que beneficiem o empreendimento do empregador (Exemplo: fazendo doces para a confeitaria do patrão), não deve ser considerado doméstico, mas sim um empregado normal regido pela CLT.
 
IMPORTANTE: os Tribunais Trabalhistas têm firmado entendimento de que a prestação de serviços em até 02 vezes por semana não configura elemento de continuidade suficiente para a caracterização do vínculo empregatício. Acima disso, sim, sendo que, dependendo das características particulares, este entendimento pode mudar.
 
Podem ser considerados empregados domésticos: jardineiros, motoristas, mordomos, babás, cuidadores de idosos e caseiros. Pedreiros, em regra, não.
 
Diaristas NÃO são beneficiários dos mesmos direitos.
 
 
5) Controle das Horas Trabalhadas
 
 
A jornada pode ser distribuída de diversas formas, desde que não ultrapasse as 44 horas semanais. É admitida a compensação de horas.
 
Exemplo de jornadas possíveis:
 
a) segunda a sexta, cumprindo jornada de 8h48 minutos, folgando aos sábados, domingos e feriados (total de 44 horas na semana);
 
b) segunda a sábado, cumprindo jornada de 8h00 nos dias de semana e 04 aos sábados (total de 44 horas semanais), folgando aos domingos;
 
c) segunda a sábado, cumprindo jornada de 7h20 por dia (total de 44 horas semanais), folgando aos domingos;
 
d) outras jornadas, desde que disponha uma folga semanal e não ultrapasse 44 horas semanais;
 
O controle da jornada é admitido por qualquer meio convencional, tais como cartões de ponto, livro de ponto, folhas de frequência diária, etc. Recomendo, para sejam fidedignos os controles, que empregador e empregado façam a conferência e assinem conjuntamente, em espaços de tempo não superiores ao de uma semana;
 
No intervalo do doméstico, deve ser possível fazer o que bem entender, melhor dizendo, permanecer ou não na residência, conforme sua conveniência pessoal;
 
Empregada em casa, descansando e sem trabalhar, EM REGRA não conta como hora extra ou tempo à disposição;
 
Quando a doméstica estiver gozando de intervalo, este período não deve ser computado como hora trabalhada;
 
É possível fazer um contrato de regime parcial de horas (meio período), e, proporcionalmente, pagando metade do salário mínimo (ou ajustado) Por exemplo: trabalhar 04 por dia e receber metade do salário devido; IMPORTANTE:  contratos já firmados para dedicação integral (44 horas) não podem ser reduzidos (para regime parcial) com o único propósito de reduzir o salário da empregada, pois, deste modo, configura forma subjacente de reduzir salários, o que é vedado pela legislação.
 
Babás e Cuidadores de idosos que dormem na residência e que, embora dormindo, estão sujeitos a qualquer chamado para cuidar de bebês/crianças ou idosos, estão à disposição do empregador e devem ser remunerados com correspondente adicional, que atualmente tem valor de 1/3 do valor-hora do salário.
 
 
06) Valor do Salário (Remuneração)
 
Atualmente, o salário mínimo no país é de R$ 678,00, e este é o piso mínimo que deve ser respeitado pelo empregador.
 
Todavia, alguns Estados do país tem um piso mínimo próprio e maior que o salário mínimo nacional. Deve ser aplicado o último. Por exemplo: São Paulo, salário mínimo é de R$ 755,00;
 
IMPORTANTE: a(o) doméstica(o) que já recebe valores maiores que estes (por exemplo, R$1.100,00), não pode ter seu salário reduzido. Também não pode demitir e recontratar num espaço inferior a 06 meses com um salário menor.
 
A hora extra deve ser calculada da seguinte forma: divide o salário por 220, o que resultará no valor da hora normal. Após, acrescente no mínimo 50% sobre o valor resultante desta divisão. Finalmente, multiplique pelo número de horas extras devidas.
 
Não deve haver desconto das domésticas (os) valores a título de “alimentação” ou “moradia” ou “uniforme”. Vale transporte, sim (6%).
 
De agora em diante, são lícitos os descontos por faltas e atrasos injustificados, inclusive com perda do direito ao DSR.
 
 
 
AGRADECIMENTOS
 
Como de costume, registramos agradecimentos aos amigos e fiéis leitores, que sempre retornam ao Diário e enviam suas dúvidas e sugestões de pauta.
 
Abraço especial aos quase 10.000 fiéis assinantes de nossa Newsletter, que é gratuita e cuja inscrição é feita através da janela que se abre junto com a página inicial.
 
Finalmente, uma saudação aos blogonautas que compartilham nosso conteúdo nas diversas redes sociais.
 
Até a próxima.
 
Christian Thelmo Ortiz

Um comentário:

  1. Não tenho nada contra as domésticas, muito menos contra os direitos delas ( que aliás, sempre paguei em dia), mas estão fazendo um "endeusamento" das domésticas, chegaram a comparar os patrões com senhores de engenho, mas ninguém vê que isto pode ser um tiro no pé: se as domésticas terão que trabalhar 08 horas por dias, com que idade elas vão começar a não arranjar mais emprego ( sim, porque poucas pessoas com mais de 35 anos vão aguentar esse rojão) já que haverá uma seleção natural de quem pode ou não pegar o serviço; com os encargos que onerarão a folha de pagamento, não haverá mais como pagar salários diferenciados, todo mundo vai cair para o mínimo; ninguém vai mais contratar domésticas analfabetas (porque no comércio isso não se admite!); ninguém vai mais permitir que as empregadas durmam na nossa casa (elas terão que pagar aluguel, perder horas no trânsito para não chegar atrasadas, sob pena de ter os minutos descontados ); elas terão que trazer sua marmita de casa, sair para almoçar e voltar depois do descanso ( já que não podemos arriscar que elas digam que estavam almoçando, mas à disposição da patroa...), terão que chegar "tomadas café" em nossa casa, pois é assim que se faz nas empresas... lavar suas roupas na nossa casa? Assistir televisão durante o expediente? Não mais.... parar de trabalhar inúmeras vezes para atender ao celular, não poderá mais.... terá que ser instituída uma cadernetinha para anotação de Banco de Horas... existe isso? Quem vai controlar o fato de que, muitas delas, quando a gente sai para trabalhar, vão dormir... descansar....
    Aquela relação amistosa havida entre as partes que convivem num ambiente íntimo, nosso lar, não haverá mais, pois estaremos sempre preocupados com o que poderemos enfrentar nos Tribunais do Trabalho...
    Teria sido bom que alguns daqueles senadores e deputados ( que não sabem o custo e a forma como funciona o trabalho doméstico) tivessem levantado algumas destas questões, pois ficam dizendo que o trabalhador doméstico precisa ser equiparado ao das empresas mas esqueceram-se que nossas casas não são empresas!
    Patrícia Melo - ex-patroa de 02 empregadas, que agora só tem uma e uma diarista (quer dizer, alguém já perdeu o emprego!)

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