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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Sim, eles sabem rapazes. Os políticos sabem muito bem o porquê dos protestos.



Considerando a importância histórica dos últimos acontecimentos envolvendo a onda de protestos que se espalha pelo país, bem como suas mais diversas motivações e a pluralidade de objetivos, o Diário de Um Advogado Trabalhista entendeu por bem não se furtar perante o debate, e, através deste escriba quem mais de 10.000 assinantes empresta alguma credibilidade, tentar compartilhar sua visão, ainda que sujeita a reprovações.





Pois, então. Os detalhes das manifestações, o ritmo das marchas, quem está participando, muitas das reivindicações que vão além de R$ 0,20, creio que grande parte dos brasileiros tomou conhecimento e estão acompanhando, sendo desnecessário, até este momento, exigir parte preciosa do seu tempo de leitura com fatos notórios.

O que causa grande espécie é o fato dos políticos se dizerem atônitos e não identificarem os pontos centrais da insurgência popular, e que, nesta circunstância lhes parece difícil criar uma agenda de governo (nas diversas instâncias da Federação) apta a negociar a solução dos problemas.

Sério. Soa como cinismo.

Qual político de São Paulo, não sabe que a população local há muito está insatisfeita com a escalada dos índices de violência, desde o segundo semestre do ano passado? Todos aqui sabem.

É quase cotidiana a produção de matérias jornalísticas relatando acerca das precárias condições do atendimento público de saúde e da insatisfação da população usuária destes serviços. Parece que desconheciam.

E a educação? Quem não sabia? Mormente organismos ligados à ONU alertarem tratar-se de uma das piores do mundo, inferiores a de muitos países africanos e da América Latina?

E a piada da inflação de somente 6,5% nos últimos 12 meses?

Amigo leitor, você sabe (ainda que intuitivamente), foi só isso mesmo? Acham que não percebemos?

Será que não sabiam que o Ministério Público, num país tomado de impunidade, é uma das poucas instituições que possuem credibilidade no combate à corrupção e crime organizado? Não sabiam que a PEC nº 37 era impopular?

Que tal submeter a PEC nº 37 a plebiscito popular?

Ignoravam, também, que o fato de deputados condenados no processo do mensalão serem justamente os mesmos designados para a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal - diga-se de passagem, uma das mais importantes e estratégicas da Casa – e que isto pode se configurar um despeito indelével?

Que esta mesma Comissão de Constituição e Justiça - por tais signatários - ousou aprovar o encaminhamento de uma PEC que submetia as decisões do STF (órgão que os condenou) à ratificação do Legislativo? Acharam que a população não foi informada disso?

E a Comissão de Direitos Humanos? Presidida por quem não é reconhecido (nem quero mencionar o nome do sujeitinho) pelo povo para este mister, e que lá somente é mantido em nome de alianças governistas alheias ao desejo da maioria.

Caramba, a seca no Nordeste está dizimando pessoas, plantações, criações de gados e a economia local, e até já foi matéria no Fantástico que as obras de transposição do Rio São Francisco há muito estão paralisadas. O Sertanejo é vara que entorta, mas não quebra!

Quantas obras de mobilidade urbana, mesmo para a Copa de 2014, não foram e não serão cumpridas?

E por falar em Copa do Mundo, é distorcida a idéia propagada no sentido de que muitos dos manifestantes queriam que os investimentos da Copa fossem endereçados à educação e saúde. Poderia ser, legitimamente, porque foi prometido que as obras seriam bancadas pela iniciativa privada, e não foi.

E aí, depois de estarem lindos, acabados e funcionando, estes mesmos estádios são transferidos para entes privados a custo ínfimo. O meu, o seu, o nosso dinheiro! Quem nos consultou?

Veja o que aconteceu com o Maracanã! Bilionário, desfigurado em sua arquitetura interna que era ímpar, e, entregue quase de graça justamente para um dos que mais tem dinheiro no país. O Governador de lá não entendeu ainda que enterrou seu capital político junto aos cariocas? Em qualquer boteco de lá todo mundo sabe!

Mas não é este o cerne da insatisfação que estamos presenciando. Perceba amigo leitor, o que os manifestantes querem, é que haja o mesmo compromisso, agendamento, e prazos rigorosos - por parte da União, Estados e Municípios – para transformar os hospitais e escolas públicas em instalações prestadoras de serviços dignos, e nem tanto quanto se transformaram nossos estádios.

Ninguém é contra a Copa e lá no fundo queima bem quentinho o amor pela seleção nacional. Faz parte de nossa identidade cultural gostar do futebol, e mais ainda se for num ambiente de primeira.

“Vamos chutar o seu traseiro” disse a FIFA – LITERALMENTE - ao governo brasileiro caso não cumprisse os prazos agendados para o andamento das obras dos estádios.

Ora bolas! Os brasileiros estão gritando! E tome porrada!   

E a vaia presidencial na abertura das Copas das Confederações?

Clima de festa, tudo organizado e as bombas estourando na moringa dos manifestantes do lado de fora. Acha mesmo, que a elite que estava dentro não iria reclamar, nem que fosse para reclamar do “barulho” estranho que atrapalhava a festa?

Todo mundo sabe que no âmbito das Prefeituras pelos cantos do país, a maioria dos trabalhadores municipais é admitida primeiramente pelo fato de serem cabos eleitorais dos prefeitos eleitos ou apadrinhados pelo mesmo. Está no DNA da vida local e tal prática nunca teve a aprovação da população. Não sabiam?  

Ah! E os tais R$ 0,20. Se o transporte em São Paulo valesse R$ 3,20, ninguém iria reclamar. É a cidade mais rica do país. O problema é que o sistema de transporte implantado há décadas tripudia do passageiro, não transporta gente, no máximo “acomoda a carga”. Não vale sequer R$ 1,20.

Esta retórica de que é preciso definir as pautas a serem debatidas com os manifestantes é uma manobra antiga que visa tão somente aprisionar e engessar o debate, ou seja, trazer um sentimento popular para a esfera simplista e  burocrática, e que pode ser adotada em qualquer palanque por qualquer partido.

Não vejo, sinceramente (e vou me retratar se estiver enganado), vontade de resolver o problema dos manifestantes, que são muitos. Vejo vontade de se apropriar deste sentimento num projeto de poder qualquer, mais um, de qualquer partido. Só isso.

O que eles talvez não tenham conhecimento, vocês amigos leitores, tenho certeza que sim.

Que os políticos brasileiros de um modo geral prestam serviços de péssima qualidade.

Em Tempo: E se vocês acham que os políticos sempre foram de baixa qualidade, entendo que não. Leiam este texto que escrevi há muito e entenderão por que: O preâmbulo da Constituição por Ullysses Guimarães. A verdadeira mens legis do Constituinte.


O que está surgindo das ruas – noves fora as depredações e violência - é um bom começo.


Finalmente, entendendo que todas as idéias dos manifestantes estão sendo exteriorizadas de maneira difusa, quero deixar claras três premissas quais nortearam este artigo.

1ª) Nada justifica a violência, quanto mais a gratuita. Nada mesmo. A força somente deve ser usada em legítima defesa e em progressão, na devida proporção da agressão que se pretende evitar. Saques, roubos e depredação de patrimônio, público ou privado, são crimes e devem ser tratados como tais.

2ª) Não adianta procurar uma interpretação dúplice. Nada neste artigo, embora em alguns momentos possa parecer, tem viés ideológico do ponto de vista partidário.

3ª) Estão implícitas, estas sim e o tempo todo, as desculpas que devo aos fiéis leitores que buscam neste espaço enriquecer seus conhecimentos do ponto de vista do Direito do Trabalho, ou mesmo um lugar com esta pertinência temática para saber seus haveres trabalhistas, e que porventura no momento deste artigo se sintam incomodados ou mesmo decepcionados. Afinal, estou entregando o que não propus.
Para estes, gostaria de dizer em quase três anos do Diário aprendi que um Blog antes de tudo deve ecoar o sentimento pessoal do Blogueiro, e que neste momento está impossível de segurar a vibração de idéias nesta cuca. Quero botar para fora.


Um comentário:

  1. Prezado,
    Participei do movimento dos "cara pintadas", e ao passar a fase da empolgação, continuamos com os mesmos políticos. Precisamos é nos envergonhar ao eleger "estes" que estão nos patamares políticos. Precisamos de honestidade e punição aos desonestos.

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